Dependência afetiva ou Transtorno da Personalidade Dependente (TPD)


O QUE É A DEPENDÊNCIA EMOCIONAL OU TPD?

É uma forma de relacionar-se através de “comportamentos dependentes e submissos que visam obter atenção e cuidados e surgem de uma percepção de si como incapaz de funcionar adequadamente sem o auxílio de outras pessoas(Beck e Freeman, 1993), impossibilitando que se estabeleçam interações saudáveis e de reciprocidade com outras pessoas e consigo mesmo(a).

Não confundir TPD com pedidos de auxílio adequados (1) à idade (como no caso de crianças que, naturalmente, são dependentes física e emocionalmente de adultos) e (2) às necessidades específicas conforme situação (pessoas idosas, deficientes, convalescentes).

O Transtorno de Personalidade Dependente também deve ser diferenciado de uma alteração da personalidade em função de outra condição médica relacionada, por exemplo, ao sistema nervoso central, de natureza hormonal ou em virtude de alterações provocadas pelo uso de medicamentos ou drogas.
POR QUE ALGUÉM DESENVOLVE ESSA MANEIRA DE SE RELACIONAR?

Existem inúmeras razões. Dentre elas:

- Ter tido pais superprotetores que transmitiram a crença de que o mundo é perigoso e de que o(a) filho(a) não teria capacidade de fazer boas escolhas e tomar decisões adequadas;

- Um ambiente familiar com rigidez nas regras, controle excessivo, críticas constantes, abusos ou violência física/psicológica;

- Criação com vivência insuficiente de amor, acolhimento, aceitação, segurança e valores alinhados e harmônicos.

Os comportamento relacionados à dependência emocional podem ser vistos com mais clareza no início da fase adulta, momento que seria esperado para conquistar mais autonomia e independência em todas as áreas da vida.





QUAIS SÃO OS COMPORTAMENTOS MAIS COMUNS A ESTE PERFIL?

- Constantemente provocar situações para que as pessoas reafirmem o que sentem por você;

- Evita contextos sociais nas quais se sinta vulnerável, como ir desacompanhado(a) a uma festa mesmo que conheça outras pessoas;

- Emenda um relacionamento no outro;

- Pede ajuda/opinião com frequência;

- Faz tudo o que as pessoas solicitam, não sabe dizer “não”, podendo submeter-se a situações desagradáveis para ser aceito;

- Precisa sempre ter alguém por perto;

- Idealiza pessoas e relacionamentos;

- Mente para si mesmo(a), negando que os problemas existam ou finge que não são graves, não enfrentando os desafios presentes na relação;

- Não expressa seus sentimentos e pensamentos de maneira honesta e franca, pois tem receio de ser reprovado(a), menosprezado(a) e abandonado(a);

- Usa o sexo e/ou o dinheiro para conquistar, segurar e ganhar a aprovação do outro; 

- Deixa que escolham a roupa que vai vestir ou o prato que vai comer no restaurante;

- Programa seu dia em função dos compromissos e da disponibilidade da outra pessoa - sempre está se colocando em segundo plano em detrimento das necessidades e vontades alheias;

- Deixa amigos e interesses próprios de lado quando está num relacionamento;

- Tenta controlar a vida das pessoas à sua volta;

- Evita atritos e “engole sapos” com frequência;

- Acha a própria vida sem graça e não sabe o que fazer com o tempo livre;

- Briga e discute na tentativa de controlar a insegurança e a raiva diante das fantasias de traição, abandono e desamor, fazendo cobranças e agredindo física ou verbalmente, alternado-se na posição de vítima e algoz;

- Escolhe parceiros indisponíveis, indecisos, de classe socioeconômica muito diferente, agressivos, distantes, irresponsáveis ou que apresentam transtornos psicológicos - em função da sua necessidade compulsiva de ser “indispensável”;

- Confunde apego com amor.


COMO TRATAR?

O recurso mais eficaz é a Psicoterapia. Em alguns casos, quando a dependência coexiste com a depressão, a ansiedade ou outros transtornos, existe a indicação de avaliação psiquiátrica para inserir o recurso medicamentoso.

Caso você se identifique com o perfil descrito ou conheça alguém que se comporte desta maneira, o mais indicado é procurar ajuda profissional. Compreender-se melhor e aprender a lidar com seus sentimentos pode lhe ajudar a interpretar o mundo de maneira diferente, modificar a sua forma de reagir às pessoas e às situações e ajudá-lo(a) a fazer escolhas mais conscientes e a cultivar relacionamentos mais saudáveis.
Fontes: 1 - 2



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