Qual a melhor linha/abordagem da Psicologia?


Hoje em dia, com a divulgação cada vez mais frequente dos serviços da Psicologia, as pessoas questionam sobre a importância e a eficácia das diferentes linhas/abordagens psicológicas existentes.

Mas o que é linha ou abordagem?

É o conjunto de técnicas e teorias que embasam o olhar e a prática do profissional. É o modo pelo qual o profissional vai abordar o seu paciente, isto é, os pressupostos de que ele vai se utilizar para compreender a dinâmica do seu cliente e através dos quais irá se apoiar para estabelecer uma relação com ele. É a "lente" pela qual o profissional olha o sujeito e através da qual irá entendê-lo.
Uma abordagem teórica na Psicologia é fundamentada por argumentos filosóficos que apresentam concepções características de homem e de mundo, entre outros elementos, como:

1- uma teoria sobre o funcionamento mental;
2- uma teoria do desenvolvimento humano;
3- uma explicação sobre a origem do sofrimento (psicopatologia);
4- uma visão sobre o processo terapêutico;
5- objetos específicos de estudo/trabalho;
6- um conjunto de técnicas a serem utilizadas.


Existem três grandes “escolas” dentro da Psicologia e, de maneira extremamente sintética e didática, elas se diferem da seguinte maneira:


I) Cognitivo-Comportamental


B. F. Skinner
Entende que o ser humano é resultado de suas aprendizagens e que uma forma distorcida de interpretar o mundo pode gerar sintomas e sofrimento. Desta maneira, o treino de habilidades e a substituição dos pensamentos distorcidos por pensamentos e comportamentos mais impulsionadores e adaptados levaria a um caminho de mais bem-estar.

Alguns teóricos: Watson, Skinner, Holland, Beck.

II) Psicanalítica


Sigmund Freud
Defende a ideia de que possuímos um inconsciente que nos leva a um modo de existir no mundo e de que quanto maior nossa consciência sobre nossos conflitos internos, maior a possibilidade de minimizar nosso sofrimento, possibilitando ao ego estabelecer novas maneiras de satisfação e de compreensão de si mesmo e da sua realidade, levando o sujeito a um funcionamento mais saudável.

Alguns teóricos: Freud, Lacan, Winnicott, Klein.

III) Humanista/Fenomenológico-Existencial


Carl Rogers
Considera que todo ser humano é singular, tem capacidade de escolha e possui uma tendência natural ao desenvolvimento. Ao estabelecer relações empáticas e autênticas, podemos nos desenvolver na direção que escolhermos a fim de nos tornar quem realmente somos.

Alguns teóricos: Rogers, Perls, Maslow, Frankl.

Cada uma destas escolas se desdobra em várias abordagens: psicanalítica mais ortodoxa, Junguiana, TCC (Terapia Cognitiva Comportamental), Transpessoal, Integral, Psicodrama, Gestalt Terapia, entre muitas outras.

Há quem defenda:

(1) que uma escola é melhor ou mais eficiente do que a outra de acordo com o caso a ser tratado;
(2) que as escolas olhariam para as diferentes “partes” de um todo – o ser humano, focando mais em um determinado aspecto do que em outro.


Não há consenso em relação a isso. Nenhuma delas é realmente melhor ou pior - elas apenas são caminhos diferentes para chegar a um mesmo destino: aumentar o bem-estar do cliente, diminuir o sofrimento emocional e fazer com que se tenha mais consciência sobre si mesmo.

O mais comum tem sido existir um intercâmbio de técnicas entre diferentes abordagens teóricas na tentativa de obter resultados cada vez melhores no trabalho psicológico. Mas é preciso que isso seja realizado por um profissional que tenha muita clareza e conhecimento das técnicas empregadas para que não resulte em uma prática superficial ou descaracterizada, formando uma “miscelânea” mal fundamentada.

Penso que a “melhor” abordagem para um cliente/paciente é aquela na qual ele estabeleça um bom vínculo com o psicólogo que o atende e, ao mesmo tempo, se sinta confortável com as técnicas utilizadas no processo. E que deste contexto resulte uma diminuição do sofrimento emocional e um aumento dos níveis de bem-estar para o mesmo. Pois é isso que realmente faz a diferença.




A abordagem ou linha, na verdade, importa mais ao profissional do que ao cliente. É através do domínio teórico e técnico da abordagem que utiliza e da relação de confiança e empatia que estabelece com o cliente que o profissional poderá proporcionar um espaço de crescimento e acolhimento ao seu paciente, respeitando o perfil e momento de vida do mesmo.

Independente da abordagem utilizada, se o cliente tiver um bom vínculo com o profissional e se sentir confortável durante as sessões, ele irá se apropriar e se comprometer com o processo, aumentando as chances de sucesso do atendimento.

Portanto, o êxito no processo não está relacionado à “melhor” ou “mais eficiente” abordagem – pois todas elas podem dar conta da demanda do cliente quando manejadas por um bom profissional - mas relacionam-se a competência do profissional no gerenciamento da abordagem que utiliza e ao comprometimento e a adesão ao “tratamento” por parte do cliente.

Resumindo:



Caso tenha mais alguma dúvida a respeito das abordagens psicológicas, entre em contato comigo! E se quiser conhecer os princípios norteadores do meu trabalho, clique aqui.

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