Dica de Documentário: InnSaei - o poder da intuição


InnSaei - o Poder da Intuição
Alemanha, 2016
Direção: Hrund Gunnsteinsdottir e Kristín Ólafsdóttir
Gênero: DocumentárioDuração: 74 minutos
Hrund Gunnsteinsdottir tinha uma boa colocação na ONU. Mas ao perceber as consequências geradas pelas mais de 100 horas de trabalho semanais em sua vida, decidiu parar a fim de refletir sobre suas escolhas e dedicar-se a novos projetos. Este documentário é fruto desta busca interior que envolveu investigar fundamentos em diferentes fontes como a ciência, a filosofia oriental e a arte na intenção de construir uma existência com mais bem-estar e significado.
As demandas do cotidiano estão cada vez maiores e são percebidas como razão  geradora de grandes níveis de estresse. Além disso, o constante barulho - interno e externo - e as distrações incessantes, tornam cada vez mais difícil o exercício de estarmos conectados com os nossos verdadeiros sentimentos e necessidades. O resultado é uma vida que vai se esvaziando de sentido.

Qual seria a solução para esse dilema contemporâneo? O documentário apresenta reflexões e propostas que envolvem autoconhecimento e a conexão consigo mesmo(a) e com os outros através da melhorias das nossas habilidades de intuição e empatia.

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"Nossos cérebros estão conectados ao meio ao nosso redor. (...) E me pergunto: como as crianças são moldadas pela cultura que as rodeia? Em que tipo de oceano de informação e estímulo as crianças estão sendo submergidas? Há um lado escuro para toda esta interconectividade. Ao invés de nos unir, talvez estejamos fazendo o contrário: tornando-nos mais desconectados de nós mesmos, uns dos outros e do mundo ao nosso redor."

"Propósito é o fundamento da vida humana neste planeta. O que ele faz é apagar o sentido da aleatoriedade e ao fazer isso fornece um certo tipo de significado mais profundo e reconhecimento do ser humano como tal. Isso serve para manter a intuição viva. Porque se eu tenho propósito eu sei que não é outra pessoa - não é a escola, não é a instituição - que me diz que eu tenho um propósito. É o mundo inteiro que está me olhando como uma entidade com propósito."
(Malidoma Somé, PhD e ancião do povo africano Dagara)


"Intuição é a tomada de consciência das coisas sutis que estão fora do nosso foco de atenção. Coisas das quais temos consciência  de forma subliminar, inconsciente. E se passamos muito tempo focados na nossa mente consciente não vemos o que deveria ser importante - parece não estar presente, nem ser importante, por isso eliminamos. Mas ao fazê-lo cortamos a maior parte do que sabemos porque, na verdade, bem pouco do nosso processo mental é consciente: a maioria - ao menos 95%, possivelmente 99% - não é consciente. E agem pra alertar a nossa lenta mente de coisas que não estão conscientes." (Ian McGilchrst, Psiquiatra)

"O que ensinamos às nossas crianças? Matemática, muito importante. Linguagem, muito importante. Mas no final das contas, vivemos num mundo funcional, precisamos agir neste mundo, interagir com ele e são necessárias certas habilidades. Habilidade em entender o que outras pessoas estão sentindo, saber o que sentimos." (Daniel Shapiro, Harvard Negotiation Program)

Outros "personagens" contribuem de maneiras diferentes para a reflexão: a artista performática Marina Abramovic que ficou conhecida por esta performance que viralizou nas redes sociais, as crianças de uma escola britânica que utiliza técnicas de meditação mindfulness e a xamã Marti Spiegelman que aponta para a relevância de estarmos em meio à natureza.

Propostas sobre as quais vale a pena ponderar. ;-)

O documentário está disponível na Netflix, neste link.

Boa diversão! :-)

Todas as imagens utilizadas são propriedade de seus respectivos autores.
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Dependência afetiva ou Transtorno da Personalidade Dependente (TPD)


O QUE É A DEPENDÊNCIA EMOCIONAL OU TPD?

É uma forma de relacionar-se através de “comportamentos dependentes e submissos que visam obter atenção e cuidados e surgem de uma percepção de si como incapaz de funcionar adequadamente sem o auxílio de outras pessoas(Beck e Freeman, 1993), impossibilitando que se estabeleçam interações saudáveis e de reciprocidade com outras pessoas e consigo mesmo(a).

Não confundir TPD com pedidos de auxílio adequados (1) à idade (como no caso de crianças que, naturalmente, são dependentes física e emocionalmente de adultos) e (2) às necessidades específicas conforme situação (pessoas idosas, deficientes, convalescentes).

O Transtorno de Personalidade Dependente também deve ser diferenciado de uma alteração da personalidade em função de outra condição médica relacionada, por exemplo, ao sistema nervoso central, de natureza hormonal ou em virtude de alterações provocadas pelo uso de medicamentos ou drogas.
POR QUE ALGUÉM DESENVOLVE ESSA MANEIRA DE SE RELACIONAR?

Existem inúmeras razões. Dentre elas:

- Ter tido pais superprotetores que transmitiram a crença de que o mundo é perigoso e de que o(a) filho(a) não teria capacidade de fazer boas escolhas e tomar decisões adequadas;

- Um ambiente familiar com rigidez nas regras, controle excessivo, críticas constantes, abusos ou violência física/psicológica;

- Criação com vivência insuficiente de amor, acolhimento, aceitação, segurança e valores alinhados e harmônicos.

Os comportamento relacionados à dependência emocional podem ser vistos com mais clareza no início da fase adulta, momento que seria esperado para conquistar mais autonomia e independência em todas as áreas da vida.





QUAIS SÃO OS COMPORTAMENTOS MAIS COMUNS A ESTE PERFIL?

- Constantemente provocar situações para que as pessoas reafirmem o que sentem por você;

- Evita contextos sociais nas quais se sinta vulnerável, como ir desacompanhado(a) a uma festa mesmo que conheça outras pessoas;

- Emenda um relacionamento no outro;

- Pede ajuda/opinião com frequência;

- Faz tudo o que as pessoas solicitam, não sabe dizer “não”, podendo submeter-se a situações desagradáveis para ser aceito;

- Precisa sempre ter alguém por perto;

- Idealiza pessoas e relacionamentos;

- Mente para si mesmo(a), negando que os problemas existam ou finge que não são graves, não enfrentando os desafios presentes na relação;

- Não expressa seus sentimentos e pensamentos de maneira honesta e franca, pois tem receio de ser reprovado(a), menosprezado(a) e abandonado(a);

- Usa o sexo e/ou o dinheiro para conquistar, segurar e ganhar a aprovação do outro; 

- Deixa que escolham a roupa que vai vestir ou o prato que vai comer no restaurante;

- Programa seu dia em função dos compromissos e da disponibilidade da outra pessoa - sempre está se colocando em segundo plano em detrimento das necessidades e vontades alheias;

- Deixa amigos e interesses próprios de lado quando está num relacionamento;

- Tenta controlar a vida das pessoas à sua volta;

- Evita atritos e “engole sapos” com frequência;

- Acha a própria vida sem graça e não sabe o que fazer com o tempo livre;

- Briga e discute na tentativa de controlar a insegurança e a raiva diante das fantasias de traição, abandono e desamor, fazendo cobranças e agredindo física ou verbalmente, alternado-se na posição de vítima e algoz;

- Escolhe parceiros indisponíveis, indecisos, de classe socioeconômica muito diferente, agressivos, distantes, irresponsáveis ou que apresentam transtornos psicológicos - em função da sua necessidade compulsiva de ser “indispensável”;

- Confunde apego com amor.


COMO TRATAR?

O recurso mais eficaz é a Psicoterapia. Em alguns casos, quando a dependência coexiste com a depressão, a ansiedade ou outros transtornos, existe a indicação de avaliação psiquiátrica para inserir o recurso medicamentoso.

Caso você se identifique com o perfil descrito ou conheça alguém que se comporte desta maneira, o mais indicado é procurar ajuda profissional. Compreender-se melhor e aprender a lidar com seus sentimentos pode lhe ajudar a interpretar o mundo de maneira diferente, modificar a sua forma de reagir às pessoas e às situações e ajudá-lo(a) a fazer escolhas mais conscientes e a cultivar relacionamentos mais saudáveis.
Fontes: 1 - 2
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O que é a "Sombra"?


O conceito de sombra foi desenvolvido pelo psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Jung (1875-1961) que fundou a Psicologia Analítica e propôs conceitos como o inconsciente coletivo, os arquétipos, entre outros.

Mas o que é a SOMBRA e de que maneira ela se forma?

Toda criança estabelece um vínculo com os pais e o mundo externo e é através da qualidade destas relações que ela vai formando sua personalidade, se desenvolvendo, entendendo como o mundo funciona, aprendendo a se portar. Muito cedo, as crianças entendem quais comportamentos são ou não aprovados pelos pais. Aprovação, para elas, é sinal de pertencimento e amor – e todos nós desejamos fazer parte de um grupo, sermos aceitos, reconhecidos e amados.

Desta forma, a criança vai internalizando o que é “certo” ou “errado”, através da influência e dos valores transmitidos pelos pais, pela escola, pela família, pela religião e pela sociedade em geral. Nessa busca por adequação ao mundo e pela aprovação dos pais, a criança começa a negar pensamentos, tendências, sentimentos, desejos, percepções e características que ela interpretou ou vivenciou como “más”, “vergonhosas”, “erradas”, “inferiores” ou não adequadas para atingir seu objetivo de ser boa o suficiente para o mundo. E então, todo este conteúdo rejeitado se agrupa no inconsciente formando o que Jung chamou de “Sombra”.


O fato é que justamente por todo esse processo acontecer logo na primeira infância, quando a criança ainda não tem consciência suficiente e nem recursos para avaliar a dinâmica familiar e os padrões sociais no qual está inserida, ela acaba depositando na Sombra muito mais do que padrões de moralidade sobre o que considerou “ruins”, mas suas potencialidades não reconhecidas, maneiras de ser não compreendidas, sua espontaneidade e criatividade - fontes da autenticidade que a levam a ser uma pessoa única no mundo.


Luz, Escuridão e Projeção

Sabemos que as sombras só são vistas quando está presente a dualidade luz/escuridão. A luz encontra um obstáculo em seu caminho e se produz uma região escura (sombra) que é formada por essa ausência parcial da luz. A maneira mais simples de ver uma sombra é quando um objeto em contato com a luz forma uma região escura (sombra) que é projetada num plano ou num outro objeto.

Da mesma forma, percebemos os conteúdos da nossa Sombra quando eles são projetados em outras pessoas ou em situações que nos acontecem. A consciência encontra um obstáculo em seu caminho (a não aceitação) e a sombra se forma. Quando uma situação/pessoa se torna um gatilho para acessar algo que está presente em nós (conteúdo da sombra), por o termos negado e reprimido, projetamos isso para fora de nós mesmos e atribuímos aquela característica apenas à situação, pessoa ou objeto.

Por exemplo: Uma mulher que tenha dificuldades para exercitar a própria sexualidade, brincar com sua sensualidade e posicionar-se num contexto de atração - porque aprendeu em algum momento que aquilo era negativo - pode ter reprimido essa habilidade em sua Sombra. E quando vê uma outra mulher confortável num jogo de sedução, pode acabar julgando-a e censurando-a, sem se dar conta de que existe uma parte dela mesma que gostaria e poderia fazer exatamente a mesma coisa. Ela projetou na outra mulher um desejo/capacidade que ela possui, contudo, reprime em si.

Trazer Luz à Sombra

E a Sombra faz isso mesmo: ela quer ser percebida, compreendida e é por essa razão que, com frequência, seus conteúdos “escapam” do inconsciente e aparecem sob a forma de projeções, sonhos, reações impulsivas, autossabotagem, julgamentos e sofrimento emocional. Os conteúdos da Sombra não desejam ser repelidos – mesmo porque, muitos deles são a fonte de criatividade e autenticidade de que precisamos para nos sentir inteiros. Eles desejam ser integrados no Eu e manejados de forma consciente.

Quanto menos entrarmos em contato com a nossa Sombra, menos desenvolveremos nossos potenciais, mais seremos reféns de reações inconscientes, projetaremos nossas dificuldades no mundo externo com mais frequência e o nosso poder de atuação e escolha diminuem. Seremos vítimas e não protagonistas da nossa história.


Já quando o material da Sombra é trazido à consciência, lidamos com nossos medos, nossos aspectos desconhecidos e nossa escuridão interior. A autoaceitação é maior, aprendemos a reconhecer e a gerenciar as nossas emoções de maneira mais eficiente, a comunicação com as outras pessoas se torna mais direta e efetiva e podemos acessar nosso potencial criativo com mais facilidade.

Vale dizer que a Sombra faz parte de nós e nunca será completamente eliminada porque os conteúdos dela sempre podem aparecer em novas roupagens. Além disso, somos seres dinâmicos: em cada momento da vida teremos a capacidade de compreender aspectos de nós mesmos sob outros prismas, com mais profundidade. Lidar com a Sombra é um processo que dura a vida toda - significa olhar constantemente para quem se é e refletir honestamente sobre aquilo que vemos. E saímos sempre mais inteiros e mais apropriados de nós mesmos nesse processo.


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Como escolher um bom psicólogo?


Você chegou à conclusão de que deseja fazer psicoterapia ou levar seu filho para fazer uma avaliação psicológica. Mas como escolher um Psicólogo? O que é importante levar em conta no momento de optar por um dentre tantos profissionais?

Ao questionar-se sobre alguns pontos relevantes, você poderá fazer a sua escolha com mais tranquilidade. Reflita:

1) O psicólogo possui um número de registro no Conselho Regional de Psicologia (CRP)?

Para exercer a profissão regularmente, segundo a Lei Federal n° 5.766, de 20 de dezembro de 1971, todo profissional de Psicologia deve inscrever-se no Conselho Regional de Psicologia do seu local de atuação. Para verificar isso basta ter em mãos o número do CRP do psicólogo, entrar no site do Conselho específico e inserí-lo no "Consulta Profissional". Em São Paulo, por exemplo, você pode fazer este procedimento através deste link.

2) Qual a formação do profissional?

Um profissional bem formado tem maior chance de ser bem sucedido em seus atendimentos. Observe a graduação do profissional, sua especialização e os cursos de aprimoramento que foram realizados. Um bom diferencial é se ele tiver especialização e experiência na área em que você busca atendimento. Um curriculum extenso não é garantia de competência, assim como um curriculum "enxuto" não define que o profissional não realize um bom trabalho. Mas é importante levar em conta o quanto o psicólogo investiu na sua formação e procura se atualizar dentro do seu campo de atuação.

3) Ele foi indicado por alguém da sua confiança ou você pôde testemunhar o resultado positivo do trabalho por ele realizado?

Uma indicação de alguém que já passou por atendimento com um determinado profissional ou conhece o trabalho dele faz diferença. A pessoa pode testemunhar os benefícios que obteve e compartilhar sobre o estilo de trabalho que o psicólogo realiza. Uma outra dica é você ficar atento(a) às pessoas que estão (ou estiveram) em processo de psicoterapia e nas quais você percebeu uma mudança para melhor - se houver espaço e intimidade suficientes, verifique se a pessoa se sente à vontade para passar o contato do profissional que a atende ou se o psicoterapeuta dela possui indicações para lhe fornecer.

4) Ao ler as publicações que ele realiza, você se identifica com o que lê?

Ao fazer a leitura de livros, artigos ou publicações do profissional em redes sociais é possível ter uma ideia sobre a linha de pensamento dele e se a mesma se aproxima da forma que você tem de ver o mundo. Ao simpatizar com o que ele escreve, existe grandes chances de você simpatizar com ele.

5) Você se sentiu acolhido(a), ouvido(a) na primeira entrevista? Estabeleceu-se empatia entre vocês? Você sentiu que poderia confiar naquele profissional?

Esse é um dos pontos mais importantes. De nada adianta ter um curriculum impecável, ter sido indicado pelo seu melhor amigo e ter centenas de seguidores nas redes sociais se, na primeira entrevista, você não se sentir acolhido, visto e ouvido pelo profissional. É imprescindível que você possa confiar no psicólogo que lhe atende e que exista empatia entre vocês para que o trabalho se desenvolva de maneira efetiva. Caso seja necessário, faça mais de um atendimento para avaliar. E não tenha receio de procurar outro profissional se um clima de confiança e empatia não se estabelecer entre vocês.

6) O modo como o psicólogo conduz o atendimento e as técnicas que ele utiliza são confortáveis pra você?

Muito se questiona sobre a abordagem ou "linha" que os profissionais da Psicologia utilizam. Eu escrevi especificamente sobre isso aqui, se você desejar se aprofundar neste item. Porém, o relevante é que, de maneira geral, você se sinta confortável com as técnicas e o modo como o psicólogo conduz as sessões. Quando o processo "flui" e você continua se sentindo visto(a), acolhido(a), compreendido(a), está aumentando a consciência acerca de si mesmo, compreendendo melhor (e transformando) as questões que inicialmente lhe levaram a procurar atendimento é porque as coisas estão caminhando bem.

7) Ele trabalha bem em parceria com outros profissionais?


Um psicólogo deve saber o momento de encaminhar um cliente ao psiquiatra, precisa estar disponível para interagir com a escola no caso de atendimentos a crianças, enfim, é importante que ele trabalhe bem quando um caso é multidisciplinar ou exige interações mais constante entre os profissionais que acompanham seus clientes. Um profissional que se isola em seu saber ou possui limitações para processar diferentes opiniões pode não contribuir para o progresso do seu cliente.

8) A localização do consultório do psicólogo, a acessibilidade e as instalações lhe fazem ficar à vontade?

Uma vez que você irá frequentar o espaço ao menos uma vez por semana é indicado que você se sinta confortável e consiga chegar nos dias e horários combinados. Ser assíduo(a) às sessões faz toda a diferença para que os benefícios da psicoterapia possam ser percebidos e o processo aconteça da melhor maneira possível. Não adianta escolher um psicólogo cuja localização seja um constante desafio, pois existe a chance de que os encontros semanais sejam sabotados pelo trânsito ou pelo cansaço.

Você pode utilizar essas questões para nortear sua escolha, mas a decisão acontece quando você está frente a frente com o profissional, na relação que se estabelece entre vocês, no quanto a condução do atendimento e o que ele disser fizerem sentido pra você.

Que você encontre um profissional que lhe ajude a caminhar em direção à realização de todas as suas potencialidades!

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Qual a melhor linha/abordagem da Psicologia?


Hoje em dia, com a divulgação cada vez mais frequente dos serviços da Psicologia, as pessoas questionam sobre a importância e a eficácia das diferentes linhas/abordagens psicológicas existentes.

Mas o que é linha ou abordagem?

É o conjunto de técnicas e teorias que embasam o olhar e a prática do profissional. É o modo pelo qual o profissional vai abordar o seu paciente, isto é, os pressupostos de que ele vai se utilizar para compreender a dinâmica do seu cliente e através dos quais irá se apoiar para estabelecer uma relação com ele. É a "lente" pela qual o profissional olha o sujeito e através da qual irá entendê-lo.
Uma abordagem teórica na Psicologia é fundamentada por argumentos filosóficos que apresentam concepções características de homem e de mundo, entre outros elementos, como:

1- uma teoria sobre o funcionamento mental;
2- uma teoria do desenvolvimento humano;
3- uma explicação sobre a origem do sofrimento (psicopatologia);
4- uma visão sobre o processo terapêutico;
5- objetos específicos de estudo/trabalho;
6- um conjunto de técnicas a serem utilizadas.


Existem três grandes “escolas” dentro da Psicologia e, de maneira extremamente sintética e didática, elas se diferem da seguinte maneira:


I) Cognitivo-Comportamental


B. F. Skinner
Entende que o ser humano é resultado de suas aprendizagens e que uma forma distorcida de interpretar o mundo pode gerar sintomas e sofrimento. Desta maneira, o treino de habilidades e a substituição dos pensamentos distorcidos por pensamentos e comportamentos mais impulsionadores e adaptados levaria a um caminho de mais bem-estar.

Alguns teóricos: Watson, Skinner, Holland, Beck.

II) Psicanalítica


Sigmund Freud
Defende a ideia de que possuímos um inconsciente que nos leva a um modo de existir no mundo e de que quanto maior nossa consciência sobre nossos conflitos internos, maior a possibilidade de minimizar nosso sofrimento, possibilitando ao ego estabelecer novas maneiras de satisfação e de compreensão de si mesmo e da sua realidade, levando o sujeito a um funcionamento mais saudável.

Alguns teóricos: Freud, Lacan, Winnicott, Klein.

III) Humanista/Fenomenológico-Existencial


Carl Rogers
Considera que todo ser humano é singular, tem capacidade de escolha e possui uma tendência natural ao desenvolvimento. Ao estabelecer relações empáticas e autênticas, podemos nos desenvolver na direção que escolhermos a fim de nos tornar quem realmente somos.

Alguns teóricos: Rogers, Perls, Maslow, Frankl.

Cada uma destas escolas se desdobra em várias abordagens: psicanalítica mais ortodoxa, Junguiana, TCC (Terapia Cognitiva Comportamental), Transpessoal, Integral, Psicodrama, Gestalt Terapia, entre muitas outras.

Há quem defenda:

(1) que uma escola é melhor ou mais eficiente do que a outra de acordo com o caso a ser tratado;
(2) que as escolas olhariam para as diferentes “partes” de um todo – o ser humano, focando mais em um determinado aspecto do que em outro.


Não há consenso em relação a isso. Nenhuma delas é realmente melhor ou pior - elas apenas são caminhos diferentes para chegar a um mesmo destino: aumentar o bem-estar do cliente, diminuir o sofrimento emocional e fazer com que se tenha mais consciência sobre si mesmo.

O mais comum tem sido existir um intercâmbio de técnicas entre diferentes abordagens teóricas na tentativa de obter resultados cada vez melhores no trabalho psicológico. Mas é preciso que isso seja realizado por um profissional que tenha muita clareza e conhecimento das técnicas empregadas para que não resulte em uma prática superficial ou descaracterizada, formando uma “miscelânea” mal fundamentada.

Penso que a “melhor” abordagem para um cliente/paciente é aquela na qual ele estabeleça um bom vínculo com o psicólogo que o atende e, ao mesmo tempo, se sinta confortável com as técnicas utilizadas no processo. E que deste contexto resulte uma diminuição do sofrimento emocional e um aumento dos níveis de bem-estar para o mesmo. Pois é isso que realmente faz a diferença.




A abordagem ou linha, na verdade, importa mais ao profissional do que ao cliente. É através do domínio teórico e técnico da abordagem que utiliza e da relação de confiança e empatia que estabelece com o cliente que o profissional poderá proporcionar um espaço de crescimento e acolhimento ao seu paciente, respeitando o perfil e momento de vida do mesmo.

Independente da abordagem utilizada, se o cliente tiver um bom vínculo com o profissional e se sentir confortável durante as sessões, ele irá se apropriar e se comprometer com o processo, aumentando as chances de sucesso do atendimento.

Portanto, o êxito no processo não está relacionado à “melhor” ou “mais eficiente” abordagem – pois todas elas podem dar conta da demanda do cliente quando manejadas por um bom profissional - mas relacionam-se a competência do profissional no gerenciamento da abordagem que utiliza e ao comprometimento e a adesão ao “tratamento” por parte do cliente.

Resumindo:



Caso tenha mais alguma dúvida a respeito das abordagens psicológicas, entre em contato comigo! E se quiser conhecer os princípios norteadores do meu trabalho, clique aqui.

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